Pineapple

Q&A

PORQUE "LAOSHI DE BICICLETA"?

Laoshi (老师) é a palavra chinesa para professor. E é assim que tenho sido chamado desde que cheguei na China e troquei a estrada pela sala de aula. Minha primeira expedição de bicicleta era “Leandro by bike”, então pensamos que “Laoshi by bike” seria um nome legal e apropriado para essa nova aventura.

A ANTÁRTICA É ALGO TÃO DIFERENTE DE QUALQUER COISA QUE VOCÊ FEZ ANTES.

Definitivamente. E esse é o ponto, eu amo o processo de aprender e explorar novas possibilidades e a Antártica é tudo menos uma aventura de rotina.

COMO NASCEU A IDEIA DESTA EXPEDIÇÃO?

Fiquei muito comovido com o desfecho da expedição de Henry Worsley (morto em 2016). Ele era um grande explorador e viveu uma vida incrivelmente aventureira, mas eu nunca tive nada a ver com esqui e certamente nada com a Antártica, foi só quando soube que Daniel Burton havia pedalado lá que despertou em mim o desejo de experimentar algo tão incrível.

E COMO VOCÊ GANHOU O APOIO DE DANIEL BURTON PARA O SEU PROJETO?

Daniel é um cara muito legal. Depois de ler seu livro, entrei em contato com ele e quanto mais séria a ideia de ir à Antártica se tornava, mais eu confiava em seus conselhos e experiência. Quando o convidei para vir me visitar na China, ele teve a gentileza de aceitar o convite e passamos uma semana trabalhando juntos no planejamento do projeto.

COMO VOCÊ ESTÁ SE PREPARANDO - MENTAL E FISICAMENTE?

Mentalmente, tem sido fácil, continuo dizendo a mim mesmo que será inacreditavelmente fantástico e incrivelmente difícil, o que ajuda a me manter em um estado antecipado de excitação e receio. Fisicamente, tem sido um pouco mais complicado, não há espaço para erros aqui, este é um desafio físico extremo, para o qual devo me preparar cuidadosamente. Tenho seguido um programa de condicionamento físico, que ficará cada vez mais intenso à medida que a expedição se aproxima. Além disso, tenho treinamentos em ambientes de temperaturas abaixo de zero já programados para o próximo inverno. Voltarei a treinar em Harbin, a “Cidade do Gelo” no norte da China e passarei por treinamentos mais avançados na Noruega e na Groelândia, auxiliados por treinadores polares profissionais.

COM O QUE VOCÊ MAIS SE PREOCUPA / O QUE VOCÊ PENSA QUE SERÁ SEU MAIOR DESAFIO?

Não há outro lugar como a Antártica, é o mais duro que você pode encontrar em termos de exploração. As condições meteorológicas imprevisíveis tornam as coisas ainda mais difíceis. Acredito que ser levado ao meu limite físico por um período tão longo de tempo é o maior desafio, mas estou comprometido a continuar até o fim. Eu começarei esta expedição no entendimento de que desistir não será uma opção.

HÁ MAIS ALGUÉM INDO COM VOCÊ?

Bem, Deus está sempre junto para me ajudar e me proteger onde quer que eu vá e acredito que na Antártica não será diferente. Além dele, haverá um veículo de apoio me seguindo com comida e equipamento. Andar de bicicleta na neve por cerca de 50 dias, tendo de transportar mais de 100 kg é tecnicamente impossível. Expedições de bicicleta anteriores, em que os ciclistas carregaram parte de seus suprimentos, fizeram com que eles precisassem puxar a bicicleta ao invés de pedalar por boa parte do tempo, então, depois de muita consulta com a equipe de logística, foi decidido que um veículo de apoio seria a opção mais sensata.

VOCÊ LEVARÁ ALGO ESPECIAL / SIGNIFICATIVO COM VOCÊ?

Durante minha viagem de bicicleta pelo mundo, as pessoas deixavam mensagens em minha bandeira do Brasil. Era sempre tão bom ter ela comigo durante a viagem e de vez em quando ler o que minha família, antigos e novos amigos haviam escrito. Desta vez levarei comigo uma bandeira da Antártica, na qual meus alunos poderão escrever ou desenhar o que quiserem e meus amigos e familiares também deixarão mensagens.

O QUE PARA VOCÊ É O ASPECTO MAIS EMOCIONANTE DA EXPEDIÇÃO?

Acredito que, sem dúvida, poder manter contato com meus aluninhos em Xangai será algo incrível. Eles farão parte da expedição e como não podem vir até mim, eu irei até eles. Uma vez por semana, seu professor maluco estará ligando do lugar mais frio e isolado do planeta para dar um oi. Pode uma aula dessas ser entediante?

VOCÊ VAI MANTER UM BLOG OU ALGO SIMILAR QUANDO ESTIVER NA EXPEDIÇÃO?

Minha mãe não me perdoaria se eu não o fizesse. Estamos planejando compartilhar o progresso da expedição online. Quero compartilhar com as pessoas os desafios que estaremos enfrentando, assim como as paisagens e a beleza excepcional do continente congelado.

O QUE VOCÊ ESPERA ALCANÇAR COM ESTA AVENTURA?

Eu sou apenas um cara normal que acredita seriamente que não há sonho ou meta muito alta ou muito louca que não possa ser alcançada. Eu sempre disse às pessoas que quando você acredita em algo, trabalha duro para que isso aconteça e nunca, nunca desiste, tudo se torna possível. Por isso, espero que essa expedição possa inspirar mais pessoas a terem sonhos maiores, bem como fazer com que eles aconteçam.